Áudios mostram cobranças e ameaças em esquema de agiotagem que mantinha ciclo de extorsão no AM

  • 14/04/2026
(Foto: Reprodução)
Áudios mostram cobranças e ameaças em esquema de agiotagem no Amazonas Áudios obtidos pela polícia revelam cobranças insistentes, intimidações e pressão psicológica contra vítimas de agiotas no Amazonas. As gravações estão sendo investigadas na segunda fase da Operação Tormenta, deflagrada nesta terça-feira (14) pela Polícia Civil, que prendeu cinco pessoas suspeitas de integrar um esquema milionário de agiotagem. Ouça acima. Entre os presos está o tenente da Aeronáutica Caique Assunção dos Santos, apontado como líder de um dos grupos. De acordo com a polícia, ele mantinha ligação com outros núcleos do esquema, que, juntos, teriam movimentado mais de R$ 150 milhões. 📲 Participe do canal do g1 AM no WhatsApp Nas mensagens, suspeitos exigem pagamentos, impõem prazos e reforçam ameaças veladas. Em um dos trechos, uma vítima é pressionada a quitar a dívida com o próprio salário. “Desse mês não pode passar não. Vai ter que dar seu jeitinho aí pra você pagar”, diz um dos investigados. Em outro áudio, o tom é de cobrança direta e ameaçadora à vítima. “A gente já fechou um combinado. Você procurou o crime para ajeitar sua vida, a gente ajeitou parcelado, direitinho, quem não tá honrando é tu minha parceira, entendeu? Não sou eu não, não sou eu que estou te pressionando a toa não. Passa as datas, tu marca as datas e tira a gente pra otário”, afirma um dos suspeitos. Um dos suspeitos também debocha de uma suposta denúncia à polícia. "É tu que sabe onde teu calo vai apertar. Se eu tivesse medo de delegacia eu não trabalhava nesse ramo mais não". Segundo a polícia, as gravações ajudam a comprovar a atuação de grupos organizados que ofereciam empréstimos clandestinos com juros abusivos e utilizavam ameaças para garantir o pagamento. Suspeito por agiotagem é preso em operação no Amazonas. Divulgação/PC-AM LEIA TAMBÉM: Como funcionava esquema de agiotagem no AM que repassava dívidas entre grupos para manter ciclo de extorsão Tenente da Aeronáutica preso em operação comandava um dos grupos de agiotagem no AM, diz polícia Esquema mirava servidoras públicas Segundo as investigações, iniciadas em janeiro deste ano, o grupo era formado por núcleos de agiotas que atuavam de forma integrada. Eles ofereciam empréstimos clandestinos com juros abusivos, que podiam aumentar as dívidas em mais de 50% ao mês. "São diversos grupos de agiotas que, interligados entre eles, realizavam cobranças de juros excessivos e as extorsões, inclusive a realização de roubos", disse o delegado Cícero Túlio. De acordo com a polícia, após conceder os empréstimos, os criminosos passavam a pressionar as vítimas com ameaças e cobranças constantes. Quando encontravam dificuldade para receber os valores, repassavam a dívida para outros grupos ligados ao esquema, fazendo a dívida crescer ainda mais e mantendo o ciclo de extorsão. As investigações apontam ainda que as principais vítimas eram servidoras públicas, especialmente mulheres que atuam em órgãos como o Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) e o Tribunal de Contas do Estado (TCE-AM). Após conceder os empréstimos, os suspeitos passavam a extorquir as vítimas e, em muitos casos, se apropriavam de bens como veículos, joias, eletrônicos e até imóveis. Também tomavam, de acordo com a polícia, documentos pessoais e cartões bancários, chegando a controlar aplicativos para retirar dinheiro diretamente das contas das vítimas. Continuidade no esquema Na primeira fase, a polícia identificou pelo menos cinco vítimas. Uma delas, servidora do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), relatou que fez um empréstimo inicial de R$ 5 mil, mas a dívida cresceu rapidamente e chegou a valores milionários. Ela afirmou ter perdido dois imóveis e um carro, além de sofrer ameaças de morte e até de sequestro do filho. Ainda durante esta fase da operação, a polícia cumpriu mandados de prisão, busca e apreensão e bloqueios judiciais, além de apreender armas, dinheiro, documentos e cerca de 30 veículos de luxo. Mesmo com parte do grupo presa, as investigações apontaram que o esquema continuou funcionando por meio de intermediários, que mantinham as cobranças, ameaças e movimentações financeiras. "Durante a primeira fase da Operação Torment, a gente conseguiu retirar parte dessa organização criminosa de circulação e mesmo com sete pessoas presas, eles continuaram e ainda debocharam da atuação da polícia e do Poder Judiciário", explicou Cícero. Empresas de fachada e lavagem de dinheiro As investigações apontam que o grupo utilizava empresas de fachada para ocultar a origem do dinheiro obtido com os crimes. Pelo menos seis empresas tiveram bloqueios financeiros determinados pela Justiça nesta segunda fase da operação. Uma das empresas, ligada a investigados da primeira fase, teria movimentado mais de R$ 3,3 milhões, segundo dados do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Outros crimes e foragidos Ainda de acordo com a polícia, o tenente também é investigado por uma tentativa de homicídio registrada em fevereiro, na Zona Norte de Manaus. Ele teria fugido após o crime e abandonado o veículo, que foi apreendido. Outros seis suspeitos seguem foragidos, e a polícia pede a colaboração da população com informações que possam ajudar a localizá-los. Veja quem são: Igor Francys Costa do Cazal, conhecido como "Alemão"; Francisco Miguel Ferreira Neto; Gilmar Silva de Souza; Bruno Luan Oliveira Vasquez; Gustavo da Silva Albuquerque; Marco Aurélio de Morais Pinheiro Júnior. Polícia identifica rede de agiotas que atua no Amazonas

FONTE: https://g1.globo.com/am/amazonas/noticia/2026/04/14/audios-mostram-cobrancas-e-ameacas-em-esquema-de-agiotagem-que-mantinha-ciclo-de-extorsao-no-am.ghtml


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