Casos graves de Influenza dobram no Brasil: quem deve tomar Tamiflu e quando o antiviral funciona
28/05/2026
(Foto: Reprodução) Influenza: Tamiflu pode reduzir em até 38% o risco de morte, diz Ministério da Saúde; saiba mais sobre o remédio
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A temporada da gripe chegou mais cedo e com mais força ao Brasil este ano. Segundo o Ministério da Saúde, de janeiro a abril de 2026, o país registrou 6.760 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) associados à Influenza, contra 3.374 casos contabilizados no mesmo período de 2025, um aumento de 100,4%. A alta, segundo a pasta se deve à antecipação da circulação do vírus neste ano.
Em meio à alta de casos, o g1 conversou com infectologistas para entender quem deve ser testado, qual é a indicação para o antiviral Tamiflu e sua eficácia.
Segundo o ministério, a vacinação segue como a principal forma de prevenção contra casos graves, internações e mortes. A pasta informa que mais de 26,4 milhões de doses da vacina já foram aplicadas, sendo 16,9 milhões no público prioritário: crianças, gestantes e idosos (grupos mais vulneráveis a hospitalizações e mortes).
Além disso, o ministério já distribuiu aos estados mais de 615 mil testes RT-PCR para vírus respiratórios, 307 mil a menos que no ano passado.
Tamiflu deve ser iniciado nas primeiras 48 horas
O antiviral oseltamivir, conhecido comercialmente como Tamiflu, deve ser usado em pacientes com diagnóstico de influenza, especialmente quando iniciado nas primeiras 48 horas dos sintomas.
Segundo os infectologistas ouvidos pelo g1, o medicamento pode reduzir o tempo de doença, diminuir complicações e até evitar hospitalizações e mortes em grupos de risco. Embora haja consenso sobre benefício em grupos de risco e casos graves, parte da literatura científica debate a magnitude do efeito em casos leves.
Agora no g1
Apesar disso, o acesso ao teste para identificar o vírus ainda é limitado em muitos serviços de emergência, principalmente por questões de custo e cobertura dos convênios, o que faz com que, em muitos casos, o tratamento seja iniciado apenas com base na avaliação clínica.
O ministério informou ao g1 que o Tamiflu é recomendado para pessoas com risco de agravamento e casos de SRAG, mesmo sem confirmação laboratorial. O infectologista da Fiocruz André Siqueira acrescenta que o ministério também recomenda o antiviral para crianças pequenas, especialmente menores de 2 anos.
A pasta destaca ainda que o remédio pode reduzir em até 38% o risco de morte.
Segundo o infectologista e pesquisador Antônio Carlos Bandeira, o protocolo do Ministério da Saúde prioriza o uso do Tamiflu em pessoas com maior risco de complicações, como idosos, gestantes, imunossuprimidos e pacientes com doenças crônicas, como cardiopatias e hipertensão.
Mas ele destaca que a indicação formal do Tamiflu é para qualquer pessoa que tenha diagnóstico de influenza.
Segundo os especialistas, o ideal é iniciar o tratamento até 48 horas após o início dos sintomas. Isso porque, quanto mais cedo é iniciado o tratamento, maior pode ser o benefício.
Bandeira acrescenta que, em pacientes graves internados em UTI, o tempo de tratamento pode até ser ampliado de cinco para dez dias.
Na rede privada, o preço do Tamiflu com 10 Capsulas 75mg varia bastante entre farmácias, mas atualmente costuma ficar entre R$ 290 e R$ 300.
Já os genéricos de fosfato de oseltamivir 75 mg com 10 cápsulas podem ser encontrados com valores mais baixos, geralmente entre R$ 170 e R$ 210.
O que os estudos mostram sobre o antiviral
Como informado, o Tamiflu pode reduzir em até 38% o risco de morte, segundo o Ministério da Saúde.
Além disso, os benefícios mais consistentes do remédio observados em estudos, destacados por Siqueira, incluem:
redução de cerca de um dia na duração dos sintomas;
diminuição de 40% a 50% das complicações leves em adultos;
redução de 28% das complicações em grupos de alto risco;
queda de 52% nas hospitalizações;
redução de 18% na mortalidade entre idosos.
O médico reforça que o medicamento tem menor efeito quando iniciado tardiamente, principalmente após o desenvolvimento de pneumonia ou outras complicações.
Bandeira complementa que o objetivo do uso precoce é reduzir o número de dias de sintomas, diminuir a intensidade do quadro e evitar a progressão para formas mais graves da doença.
A quantidade de óbitos por SRAG associadas ao vírus da Influenza chega a 505 até o momento, no país. Já as mortes por SRAG associadas a Covid somam 270 este ano.
Por que nem todo mundo faz teste para gripe
Os especialistas afirmam que, apesar da importância do diagnóstico, nem sempre os testes são realizados nas emergências.
Isso ocorre por restrições orçamentárias e dificuldades de reembolso por parte dos convênios. Nem sempre os convênios restituem esse valor para o atendimento de pacientes em emergências, pontua Bandeira.
Siqueira afirma também que, na maioria das vezes, o teste não muda a conduta clínica, principalmente nos pacientes de risco, que recebem o antiviral mesmo sem confirmação laboratorial.
Segundo o médico, o maior risco é não tratar uma influenza em quem pode complicar. Os exames acabam sendo mais utilizados em casos hospitalizados e na vigilância epidemiológica.
Bandeira defende que, idealmente, pacientes com sintomas respiratórios deveriam ser testados ao menos para Covid-19 e Influenza, além do Vírus Sincicial Respiratório (VSR), quando possível.
Diferença entre gripe, resfriado e Covid
Os infectologistas alertam que diferenciar apenas pelos sintomas uma gripe causada por influenza de outras infecções respiratórias, como covid-19, adenovírus ou VSR, pode ser difícil.
Segundo Bandeira, os sintomas de gripe hoje são muito superponíveis. Uma influenza pode começar parecendo um resfriado comum e depois evoluir com gravidade. Da mesma forma, uma covid pode se iniciar com febre, dor de cabeça e tosse intensa, simulando um quadro gripal.
Siqueira explica que, de forma geral, a influenza costuma ter início súbito, febre alta, dores intensas no corpo e maior prostração. Já o resfriado tende a ser mais leve, com coriza predominante e sintomas nasais.
Mesmo assim, ele afirma que o contexto clínico e os fatores de risco são mais importantes do que tentar diferenciar as doenças apenas pelos sintomas.
Quando procurar atendimento médico
Os especialistas orientam que pessoas com sintomas respiratórios procurem avaliação médica para identificar a causa da infecção e definir a necessidade de tratamento.
Segundo Siqueira, devem buscar atendimento principalmente pacientes com sinais de gravidade, como:
falta de ar;
respiração acelerada;
dor no peito;
febre persistente ou que retorna após melhora;
confusão mental;
sonolência excessiva;
piora importante do estado geral.
Em crianças, os sinais de alerta incluem dificuldade respiratória, recusa alimentar e gemência.
Já casos leves, sem comorbidades, podem permanecer em casa, em observação.
Entenda os tipos de influenza
Os infectologistas explicam que existem quatro tipos de vírus influenza: A, B, C e D, sendo que o D não afeta humanos.
Os vírus influenza A e B são os mais importantes clinicamente, por estarem associados a epidemias e quadros mais graves.
O influenza C costuma provocar infecções leves, semelhantes a resfriados.